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Densidade calórica: por que comer pouco nem sempre significa comer poucas calorias

Por Letícia Barros, nutricionista especialista em bariátrica · · 4 min de leitura · 2 visualizações

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Densidade calórica: por que comer pouco nem sempre significa comer poucas calorias

Foto: Jessica Lewis 🦋 thepaintedsquare / Pexels

Oi Bari! Sou nutricionista especialista em pacientes bariátricos e hoje quero falar sobre uma armadilha que pega até quem já domina a técnica de comer pouco: a densidade calórica.

Depois da cirurgia, a gente aprende rápido a comer em porções pequenas. O estômago não dá escolha. Mas tem uma coisa que quase ninguém te conta nessa fase: porção pequena não é sinônimo de poucas calorias. Dois pratos do mesmo tamanho podem ter quantidades de caloria bem diferentes, dependendo do que tem dentro deles.

O que é densidade calórica, na prática

Densidade calórica é quanta caloria cabe em cada grama de um alimento. Alimentos com muita água e fibra (verdura, legume, fruta) têm densidade calórica baixa: ocupam espaço no estômago, mas entregam pouca caloria. Já alimentos concentrados em gordura ou açúcar têm densidade calórica alta: cabem pouco no prato, mas entregam muita caloria.

Um exemplo bem simples. Uma colher de sopa de azeite tem cerca de 120 calorias. Um prato cheio de folhas (alface, rúcula, agrião) tem menos de 20 calorias na mesma quantidade em gramas. Os dois "pesam" parecido na balança da cozinha. No corpo, o efeito é bem diferente.

Pensa assim: são duas malas do mesmo tamanho. Uma cheia de roupa de verão, leve. A outra cheia de roupa de inverno, pesada. As duas cabem no mesmo compartimento de bagagem, mas uma pesa o dobro da outra. Com comida é igual: o volume que cabe no seu estômago pequeno é limitado, mas o peso calórico daquele volume varia muito.

Onde essa conta costuma sair errada

Vejo isso toda semana no consultório. Uma paciente, vou chamar de Fernanda, veio numa consulta orgulhosa: "Tô comendo bem pouquinho, só uma colher de pasta de amendoim de manhã e uma mãozinha de castanha à tarde". O problema é que aquela "mãozinha" de castanha, uns 30g, já tem quase 200 calorias. E a colher de pasta de amendoim, mais 100. Juntando só esses dois lanchinhos "pequenos", Fernanda comia quase 300 calorias sem perceber, porque na cabeça dela porção pequena = pouca caloria.

Isso não quer dizer que castanha, azeite ou pasta de amendoim sejam vilões, tá? São gordura boa, fazem parte de uma alimentação equilibrada. O problema é comer essas coisas achando que elas não contam muito, só porque a porção parece pequena.

Um estudo publicado em 2022 acompanhou pacientes de bypass gástrico por um ano inteiro, comparando o que eles comiam antes e depois da cirurgia. A descoberta interessante: no geral, os pacientes continuaram comendo basicamente os mesmos alimentos de antes, só que em quantidades menores, e a densidade calórica da dieta deles quase não mudou. Os pacientes que mais reduziram a densidade calórica da própria alimentação foram justamente os que mais diminuíram a quantidade de calorias que comiam no dia, e também os que sentiram menos vontade de doce ao longo do primeiro ano.

Ou seja: comer menos quantidade ajuda, mas escolher alimentos menos densos em caloria ajuda muito mais.

O que fazer com essa informação

1º - Dê preferência a alimentos com bastante água e fibra nas suas refeições: verdura, legume, fruta. Eles ocupam espaço no seu estômago pequeno sem pesar tanto em caloria, e ainda ajudam na saciedade.

2º - Desconfie das "porções mágicas". Oleaginosas, granola, pasta de amendoim, queijo amarelo, chocolate, frituras: são todos alimentos onde uma quantidade pequena esconde bastante caloria. Vale a pena pesar e medir de verdade essas porções por um tempo, pra saber quanto está entrando no seu prato.

3º - Monte o prato com proteína magra e vegetais primeiro. Eles ocupam o volume do seu estômago com menos densidade calórica, e sobra menos espaço pra esses extras calóricos que entram sem você perceber.

4º - Não confie só na sensação de "comi pouquinho". Ferramentas simples, como pesar os alimentos por um tempo ou anotar o que você come num app, ajudam a enxergar a diferença entre porção pequena e caloria baixa.

Você já passou por isso, de comer bem pouquinho e mesmo assim não ver resultado na balança? Conta aqui pra mim: qual alimento você descobriu, na prática, que era bem mais calórico do que parecia?


Fonte científica: Livingstone MBE et al. Food Intake Following Gastric Bypass Surgery: Patients Eat Less but Do Not Eat Differently. J Nutr. 2022. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36774099/

Letícia Barros

Letícia Barros — Nutricionista especialista em bariátrica

CRN-3 55.124

Cada caso tem particularidades que um artigo não substitui. Se quiser uma orientação personalizada para a sua fase pós-cirúrgica, agende uma consulta.