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Posso tomar refrigerante depois de quanto tempo de cirurgia?

Por Letícia Barros, nutricionista especialista em bariátrica · · 4 min de leitura · 3 visualizações

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Posso tomar refrigerante depois de quanto tempo de cirurgia?

A Joana (nome fictício) chegou pra consulta com uma cara de quem tinha cometido um crime, Bari. Tinha ido num aniversário de família no fim de semana e tomado meio copo escondida no canto da cozinha. A primeira pergunta que ela me fez foi sobre refrigerante pós-bariátrica: será que aquele golinho tinha estragado tudo lá dentro?

Essa dúvida sobre refrigerante pós-bariátrica chega direto no meu direct quase toda semana, sempre com uma variação parecida: posso tomar depois de quanto tempo, um golinho de vez em quando tudo bem, ou é proibido pro resto da vida? E bem, a resposta direta é essa: não existe uma data marcada no calendário que libere o refrigerante de uma vez por todas. O motivo pra ir com calma dura bem mais tempo do que a maioria espera, viu?

Por que o refrigerante pós-bariátrica incomoda tanto o estômago novo

Pensa numa panela de pressão com o fogo alto demais, naquele momento em que a válvula começa a assoviar sem parar. O gás quer sair, mas o espaço lá dentro é pequeno e ele não tem pra onde ir rápido o bastante. Seu estômago novo faz parecido com o gás do refrigerante. O espaço que sobrou depois da cirurgia é bem menor, e aquele tanto de bolhinha que antes passava batido agora fica martelando a parede de dentro, estufando e doendo.

Isso não é frescura sua, nem sinal de que você fez algo errado bebendo um golinho numa festa. É física mesmo: menos espaço, mesmo tanto de gás, mais pressão.

Fora o gás, tem o açúcar. Refrigerante tradicional cheio de açúcar some rápido pro intestino e pode abrir a porta pro mal-estar que já expliquei com mais detalhe no texto sobre o dumping pós-bariátrica. E tem ainda a conta da caloria líquida, que enche o copo sem encher o prato de proteína, uma armadilha que já destrinchei no texto sobre densidade calórica.

O que um estudo mostrou sobre refrigerante pós-bariátrica no primeiro ano

Um grupo de pesquisadores americanos acompanhou pacientes de bypass e de sleeve durante um ano inteiro, usando um aplicativo que perguntava várias vezes por dia como estava a barriga e o que cada um tinha bebido e comido. Bebida gaseificada e cheia de açúcar entrou na lista de hábitos de risco que eles mediram, junto com carne gorda, doce, comer rápido demais e beber líquido junto da refeição.

O que o estudo encontrou foi isso: esses hábitos, incluindo a bebida gaseificada, caíram bastante nos primeiros meses depois da cirurgia, que é exatamente a fase que você já conhece, de comer com mais cuidado. Só que lá pelo décimo segundo mês, esses mesmos hábitos voltaram a subir de novo. E o detalhe que mais interessa pra sua pergunta: o que mais apareceu ligado aos sintomas de estômago nesse período inteiro foi comer doce demais e continuar comendo mesmo depois de já ter sentido a primeira saciedade, bem mais do que o gás da bebida sozinho.

Sabe o que isso quer dizer na prática, Bari? A vigilância tende a cair justamente num ano inteiro de cirurgia, bem depois de qualquer prazo que alguém te prometer como seguro, exatamente quando você já está se sentindo recuperada e acha que pode voltar pro que bebia antes.

Na prática: como voltar (ou não) pro refrigerante pós-bariátrica

Anota essa dica, Bari.

1º - Segura a onda pelo menos nos primeiros meses, enquanto seu estômago novo ainda está aprendendo a lidar com qualquer volume de líquido, gaseificado ou não. Pergunta pra sua equipe quando faz sentido reintroduzir, porque isso varia de cirurgia pra cirurgia e de paciente pra paciente.

2º - Quando for testar, comece com bem pouco, tipo um dedo de copo, sem gelo e deixando o gás escapar um pouco antes de beber. Repara como o corpo reage antes de encarar o copo inteiro numa festa.

3º - Prefere a versão sem açúcar quando for beber, pra tirar pelo menos o risco do dumping da conta, mesmo que o gás continue incomodando do mesmo jeito.

4º - Não deixa o refrigerante ocupar o espaço da água que você já luta pra bater no dia. Cada golinho de bebida gaseificada é menos espaço pra água de verdade dentro desse estômago pequeno.

Se depois de testar um golinho você sentir dor forte, não só aquele estufamento chato, ou vomitar toda vez que experimenta, isso já é papo pra levar pra sua equipe, não pra ficar testando sozinha em casa, tá?

Me conta aqui: você já testou o refrigerante depois da cirurgia? Foi tranquilo ou a barriga reclamou na hora? Escreve pra mim, quero saber o que você sentiu.

Fonte científica: Bond DS, Thomas JG, Jones DB, Schumacher LM, Webster J, Evans EW, Goldschmidt AB, Vithiananthan S. Ecological momentary assessment of gastrointestinal symptoms and risky eating behaviors in Roux-en-Y gastric bypass and sleeve gastrectomy patients. Surg Obes Relat Dis. 2021. PubMed

Letícia Barros

Letícia Barros — Nutricionista especialista em bariátrica

CRN-3 55.124

Cada caso tem particularidades que um artigo não substitui. Se quiser uma orientação personalizada para a sua fase pós-cirúrgica, agende uma consulta.

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